Apresentação (2ª Edição)


CAPA
O Brasil é o país com o maior quantitativo absoluto de homicídios em todo o mundo. São quase 60 mil por ano, cerca de 160 num único dia. Um quadro verdadeiramente semelhante aos vivenciados em países com conflitos armados ou guerras civis, ainda que por aqui, ao menos oficialmente, isso não seja uma realidade sequer remota.

Essa tenebrosa situação é fruto de uma sucessão de erros que já se acumulam há décadas na área de segurança pública, campo no qual a ideologia tem se sobreposto à técnica. Um dos principais desses erros é o desarmamento civil, aqui introduzido e utilizado como prometida forma de contenção criminal, ao mesmo tempo que criminosos, beneficiados por uma legislação garantista, raramente são identificados e efetivamente punidos.

Esta obra é uma coletânea de contundentes artigos temáticos do pesquisador Fabricio Rebelo, criticando os erros governamentais e vinculando-os à realidade criminal brasileira, ajudando a entendê-la. São 55 textos, veiculados entre maio de 2011 e fevereiro de 2017, em publicações especializadas e na imprensa aberta, incluindo grandes canais de conteúdo, como o portal UOL e o jornal Folha de S. Paulo. A obra é introduzida por um ensaio inédito que, resgatando os primórdios da tese de microdesarmamento da Organização das Nações Unidas (ONU), busca situar o leitor sobre os aspectos mais relevantes das políticas antiarmas da atualidade, especialmente quanto ao seu uso como mera expressão ideológica e instrumento de dominação social, ainda que transmutada para aplicação como política de segurança pública.

Os artigos têm desencadeamento a partir de variadas situações do cotidiano, não só brasileiro, mas também mundial, abrangendo ações criminosas, decisões judiciais, políticas de segurança pública, ataques em massa, estatística homicida e atos terroristas. Embora com abordagens primárias diferentes, os textos se entrelaçam por uma premissa comum: o erro das políticas de desarmamento civil numa sociedade infestada pela violência criminal impune.